Lucas Barroso
Estudante de Jornalismo
Num dia de tristeza me faltou o velho. E, nesse dia sem data nem hora marcada, fui só e pouco diante da vida. Como um arremedo do que era. Como um tanto de areia que se esfarela pelos dedos. Senti o peso dos ponteiros em meus ombros. A obrigação espontânea dos dias. Seria um fardo daqui em diante, a vida. Era trabalhar na rua sustentando o mundo. Era ter medo e não ter para onde correr. A saudade sombreando cada passo em falso. E mais um final de semana. Nada do velho. Confesso que, ainda hoje, falta ele me faz. Por isso acaricio os cabelos finos de Norah. Ela brinca. Ela corre. Ela sorri. É impressionante, essa criança tem a sua cara, pai…
Aconteceu em Porto Alegre. Uma agente de trânsito conversou com um menino nas proximidades do Olímpico, no bairro Azenha. O menino trabalha nas sineleiras, é um vendedor de doces. Desses tão comuns hoje em dia. No meio do bate papo dos dois, o pingo de gente de oito anos, que não vai a escola porque não gosta, perguntou:
- Tia, é verdade que o governo vai dar dinheiro para quem entregar as carroças?
A azulzinha, surpresa com o questionamento, retrucou.
- Mas por que você quer saber isso?
- É que eu queria ser carroceiro quando crescer…
Leociwalter não é vilão nem herói. É uma peça qualquer no cenário da cidade. Léo, como lhe chamam as pessoas que o rodeiam, morre a cada dia que nasce. Porém, a vida apresenta fuso horários. Em algum lugar desse mundo, em algum tempo que não o seu, Leociwalter teria um dia a mais para morrer.
Related posts:
20 de Junho de 2008 às 5:27 pm