Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
Responda rápido: interviu ou interveio? Não perca tempo jogando no Google ou procurando em dicionários. O certo é interveio. Tudo bem, errar é humano. Afinal, nem o ministro Tarso Genro sabia a forma correta. Isso até a intervenção do presidente Luis Inácio Lula da Silva. “Tarso, é interveio. Muita gente fala ‘interviu’, mas o certo é interveio”. Foi o lendário 8 de setembro de 2009, na reunião da coordenação política do governo.
Que Lula não tem ensino superior e não é o que podemos de chamar de um homem culto, especialmente se o compararmos com seu antecessor Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, nós sabemos. A surpresa fica por conta do ministro Genro. O povo até perdoa a Sasha escrevendo “sena” em vez de cena, o Luciano Huck escrevendo Brasilian, a Vanusa tentando cantar o hino nacional. Mas o Ministro da Justiça conjugando mal e porcamente um verbo, não.

Lula: de "menas" a "en passant".
Eu imagino a cara de quem irá ficar constrangido até 2057 de Tarso Genro ao ser corrigido por um homem que até pouco tempo falava “menas”. Antes disso, Lula já havia mostrado sua evolução linguística, como ele mesmo denominou. Em um país com sede de estrangeirismos como o Brasil, o presidente popularizou a expressão de origem francesa en passant em discurso proferido na Marcha dos Prefeitos, ocorrida em abril de 2008. Agora, o presidente é chique. Além de usar palavras estrangeiras, parece que entende de xadrez ( o jogo, é claro).
Lula e Tarso Genro engordam o time de políticos que cometem deslizes com a língua portuguesa. Reza a lenda que no governo Floriano Peixoto um ajudante de ordens bateu com certa força na porta do gabinete do presidente. Peixoto ordenou que ele entrasse e o repreendeu: “Bata com menas força”. O ajudante retrucou educadamente. “Vossa Excelência, desculpe, mas menos é verbo, não vareia”. Bem, o que vale é a intenção.
O ex-metalúrgico, em seu segundo mandato como presidente da República, deu uma trégua na eleição de candidatos pelo elitismo. Não se pode negar que Lula se dá muito bem como comunicador. Com jeito simples e muitas vezes errado de falar, seus discursos comovem pelo conteúdo em sua maioria, porque “humanizam” quem, teoricamente, é o homem mais poderoso do país.
O repertório do presidente pode ser minguado, mas ultimamente eu prefiro ouvir Lula vangloriando-se de ter aprendido a conjugar um verbo corretamente ou uma expressão nova do que os xingamentos ao melhor estilo rococó proferidos em sessões no Senado. Agora, com licença. Vou comprar o meu Dicionário Lula.
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18 de Setembro de 2009 às 5:15 pm
Boa reflexão, Raquel.
O repertório do presidente é divertidíssimo de ser analisado. Me divirto lendo o José Simão, na Folha: “Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. “Suculenta”: companheira dona Marisa tomando um suco de polenta. O lulês é mais fácil que o ingrêis.” haha
Abração!
é…
Lulla corrigindo Tarso… trata-se do final dos tempos…