Natacha Kötz
Estagiária de Jornalismo

Restringir a utilização dos anúncios externos e limitar os locais de exposição é a solução ideal para Trein
No último dia do mês de agosto comemora-se o dia do outdoor, data que homenageia uma das mídias mais antigas do mundo. Na Mesopotâmia, por exemplo, os comerciantes de vinho anunciavam seus produtos em prismas de madeira talhados em relevo. Já na Grécia, as mensagens eram gravadas em rolos de madeira. Os outdoors na Roma Antiga já eram mais próximos do que conhecemos hoje: retângulos de metal eram instalados sobre muros e pintados de cores claras, onde qualquer interessado poderia escrever com carvão mensagens de venda, compra ou troca de mercadorias.
Atualmente, o outdoor é reinventado diariamente adotando novas tecnologias, que são mais valorizadas, como a implantação de imagens, luzes e até cheiros. Porém, o mercado acabou fazendo com que o consumidor entendesse como “outdoor” somente o produto feito com papel colado por cima de uma superfície de madeira, mas pensar assim é um equívoco. O professor de Publicidade e Propaganda da Unisinos Sérgio Trein explica o que é, de fato, um outdoor: “Como o nome já diz, é toda publicidade anunciada na rua. Toda publicidade externa é considerada outdoor”.
Caça aos outdoors
No ano de 2007, os vereadores da Câmara Municipal de São Paulo aprovaram, em segunda votação, o Projeto de Lei 379/06, de autoria da prefeitura, que proíbe a publicidade externa na capital paulista. O projeto, denominado Cidade Limpa, foi aprovado por 45 votos a favor e um contra. O voto contra foi do vereador Dalton Silvano (PSDB), ex-presidente do Sindicato dos Publicitários do Estado de São Paulo. Com a aprovação da lei, está proibido qualquer tipo de publicidade externa na cidade, sejam outdoors, placas, painéis ou pinturas em muros.
Agora, estão na mira para a proibição de outdoors outras sete capitais brasileiras: Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Vitória e Goiânia. Nem todas as cidades têm o objetivo de serem tão radicais como na capital paulista. Alguns dos projetos em andamento nas Câmaras Municipais pretendem somente regulamentar a publicidade externa, limitando os espaços utilizados pela mídia exterior.
Sérgio Trein concorda com a regulamentação: “Onde tudo chama a atenção, nada chama a atenção”, avalia. “O ideal seria escolher determinados pontos para a publicação de outdoors, pois a produção excessiva de publicidade externa pode poluir, sim, mas a restrição total, como ocorreu em São Paulo, é exagero.”
O professor da Unisinos salienta que o outdoor não tem somente função publicitária, o produto também atinge outros públicos. “Muitos outdoors cumprem uma função social: campanhas de vacinação, doação de órgãos, entre outros. Ele é um segmento muito importante da publicidade”, explica. “Além disso, existe a questão relacionada aos empregos gerados com a fabricação do anúncio e do retorno que isso traz para as agências.”
Para Trein a solução é simples: “Nada mais lógico do que uma educação de massa. Podemos restringir a utilização dos anúncios externos e limitar os locais de exposição, mas acabar com esse tipo de publicidade é demais.”
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1 de Setembro de 2010 às 4:00 pm


