Gabriela Schuch
Estagiária de Jornalismo
Era três de março de 1996. E eu, uma criança acordando às seis da manhã sem saber direito o que me esperava. Primeira série, colégio novo, a certeza de que jamais conseguiria aprender a ler ou escrever. Lembro-me da fila do bar, onde o único assunto em comum com as outras crianças era a morte dos Mamonas Assassinas, ocorrida um dia antes.
Mas o que mais marcou foi a minha professora. Como a tia Joana era bonita. E já no primeiro dia de aula ela fez uma metáfora que naquele dia estávamos iniciando a subida em uma escadinha. Aquele era o primeiro passo de muitos que seriam dados até o final do colégio.
Por várias vezes me lembrei da escadinha. Quando na 5ª série fui para o prédio dos “grandes”, quando depois, já na oitava eu era grande, mas, um ano depois voltava a ser pequena no ensino médio. E, por fim, ao chegar ao terceiro ano, ao constatar quão doce é a ilusão dos pequenos ao pensar que os pré-vestibulandos são maduros o suficiente pra etapa da vida que os espera.
A última vez que eu havia lembrado da história da escada foi justamente 10 anos após ela ser contada para mim. Em 2006, enquanto recebia o meu diploma de conclusão do colégio, pensava: “cheguei ao topo”. Tão doce quanto a ilusão citada acima foi a minha ilusão.
Março recomeça pela 14ª vez desde o dia em que comecei a subir o meu primeiro degrau, dessa vez, o próximo passo me fará jornalista. Foi uma metáfora que me ajudou a pensar o quanto o tempo passa rápido, o quanto somos prisioneiros da subida e que uma vez na escada, só se para ao chegar ao céu.
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2 de março de 2010 às 5:43 pm
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Gabriela, a vida é exatamente isso: uma constante busca pelo degrau seguinte; jamais chegaremos ao topo, pois quanto mais se enxerga o alto, mais se quer subir. E é isso que faz de nós seres em constante evolução! Adorei o que escreveste, me sinto exatamente assim, a cada ano que se inicia.
Um abraço!