Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
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  • O movimento caudal de minha cadela

    Luan Iglesias
    Estagiário de Jornalismo

    Dia desses, ao chegar em casa pelas 23h30min, deparei-me com cansaço, falta de motivação, nostalgia. Abri a porta principal de minha residência e fui recebido pela minha afável cadela. A vira-lata que cresceu comigo. Para mim, quase uma filha. Na medida em que eu avançava ao seu encontro, seu rabo era tomado por maior alegria. Acredite, o rabo da minha cadela é feliz. Ao acompanhar o fato, fui submergido pelos meus momentos de reflexão. Perguntei o que estava fazendo com a minha vida. Fingi não saber. Assim como a minha cadela dissimula a jovialidade do seu rabo. Ela apenas o sente mexer, é quase instintivo, automático. E assim eu levava meu dia-dia. Eu não sabia por que estava fazendo tudo que cabia às minhas responsabilidades, mas eu apenas as cumpria. Desta forma, mantive minha linha de raciocínio, hostilizada por um breve e ingênuo movimento de um ser, que durante anos, fora minha fiel companheira.

    A verdade é que fui criado em meio a um turbilhão de ideologias. Tenho (e sempre tive) bons exemplos a seguir. No entanto, com o passar do tempo, fui criando minhas convicções com base no que me foi exposto, principalmente pela sociedade. Muito de mim devo aos meus pais. Outra grande parte a alguns poucos e bons amigos. De qualquer maneira, existem certas fases da vida que esquecemos, justamente, de viver. Esquecemos de ser saudáveis. Esquecemos de abraçar, sorrir, pular, contar piada, beijar, escrever, ler, tomar água. Realmente esquecemos, ou deixamos para depois. Então vamos adiando, adiando, adiando…

    Levei, por exemplo, mais de um mês para atualizar esse espaço pela mais pura preguiça e medo, confesso. Decidi mudar e aceitar as críticas. Estou me expondo, disponibilizando pequenas porções da minha existência nesta página, lidando com diferentes massas cefálicas. Por que não posso receber críticas? Vamos lá, me destrua. Corrompa-me. Difame-me. Estarei preparado para receber com fundamento todo e qualquer comentário – inclusive elogios.

    Graças ao alerta caudal da minha cadela, voltei a enxergar minhas razões. Não sei por quanto tempo. Sobretudo, devo pertencer a alguma espécie de masoquismo. Eu gosto do que faço. Tenho paixão pelo meu exercício profissional. Sou um sonhador. Possuo planos. Entretanto, às vezes se faz necessário colocá-los em prática. Os amigos próximos alegam ver em mim doses homeopáticas de poesias. A vocês – creio que não preciso citar nomes – a minha cintilante e profunda gratidão. Tenho dom de esquecer da minha vida, amigos. Todavia, por mais distante que eu me encontre, jamais esquecerei do significado em essência de cada um.

    Na redação do Portal3, a convivência me proporcionou bons laços afetivos com colegas, supervisores e funcionários – chamo-lhes até de irmãos. Posso dizer com orgulho que também possuo uma grande família no trabalho. Sinal que por mais desleixado que eu seja com a minha própria rotina, terei pessoas me apoiando, me aconselhando e amadurecendo comigo.

    Obrigado pessoal, de verdade.

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    12 de Maio de 2009 às 2:54 pm

    7 Comentários para “O movimento caudal de minha cadela”

    1. Flávia Corrêa diz:

      Otimismo sempre. Excelente texto, parabéns.

    2. Camila Vargas diz:

      Oh meu querido! Me emocionei! Realmente tem uma dose grande de poesia em teus textos, particularmente admiro este dom! E claro temos os irmãos que nos apoiam que não deixam cair em depressão. Toda vez que fico triste, lembro da pilha de amigos que torcem por mim! Quer coisa melhor que isso? Dádiva é ter amigos! Considere-se sempre um amigo que torço sempre pela a tua felicidade.
      Belas palavras e parabéns pelo texto!

    3. Cristiane Abreu diz:

      Luan, pode ficar tranquilo porque você certamente não está fazendo feio quando dispobniliza pequenas porções da sua existência nesta página.

      Ser crítico é esencial para, ao invés de acomodar-se, crecer sempre mais. Eu, particularmente, acredito que não se tem amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra.

    4. Juliana de Brito diz:

      Luan,
      Acho que é exatamente isso que devos fazer todos os dias. Deixar-nos tocar por essas pequenas coisas que mostram que estamos vivos. A Luiza com certeza está na tua vida para isso. Parabéns por fazer deste pormenor da tua vida em uma analogia do que realmente é viver.

    5. “O Portal3 já teve colunistas melhores…tsc..tsc..tsc.”
      -nome falso, email falso

      Tá feliz agora? Hein? Hein?
      Baita texto, meu guri!

    6. Cassandra diz:

      Amei o texto!
      Pena que as vezes a gente deixa passar os pequenos gestos, ou as vezes não quer vê-los.

    7. Daniela L. diz:

      Bah…muito bom teu texto. Conseguiu colocar em palavras coisas qu também penso.
      Parabéns!

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