Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
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  • O que não fazer

    Marcelo Grisa
    Estagiário de Jornalismo

    Conversamos com o professor José Luiz Braga, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos. A pedido do Portal3, ele analisou um artigo do site Times Higher Education (THE), no qual a professora de Comunicação Tara Brabazon, do University of Ontario Institute of Technology, do Canadá, elenca “10 coisas que não se deve fazer” em uma tese de doutorado (supomos que boa parte delas também vale para TCCs e dissertações). A elas:

    1)    NÃO submeta à apreciação da banca uma bibliografia incompleta e mal formatada;

    2)    NÃO use expressões como “alguns acadêmicos” e “toda a literatura” sem detalhar referências ou afirmações: generalizações não fazem bem ao trabalho acadêmico, e representam um sinal de que a bibliografia está muito curta. O orientador também deve pedir ao aluno que explicite quais são esses acadêmicos ou no que consiste essa literatura;

    3)    NÃO escreva um resumo que não comece com a frase “Minha contribuição para o campo do conhecimento é…”: a contribuição deve ser explicada no resumo, e ser muito clara;

    4)    NÃO encha a bibliografia com referências de blogs, jornalismo online e livros didáticos: é um problema que pode, segundo a autora, até mesmo influenciar o texto do aluno, fazendo-o se desviar de um padrão acadêmico de escrita para algo coloquial. Há padrões mínimos de linguagem formal que devem ser atendidos no trabalho acadêmico;

    5)    NÃO use as palavras “discurso”, “ideologia”, “significante”, “significado”, “interpelação”, “pós-modernismo”, “estruturalismo”, “pós-estruturalismo” ou “desconstruçãos” sem ler antes a obra de Foucault, Althusser, Saussure, Baudrillard ou Derrida: esse tipo de utilização das expressões necessita da compreensão em detalhes dos conceitos, para não haver confusão ou falta de precisão nos conceitos utilizados;

    6)    NÃO acredite que o que você está escrevendo é novo porque você não leu o suficiente para saber que um outro acadêmico escreveu um livro sobre o mesmo assunto 20 anos antes: há estudantes que lêem muito pouco, os chamados under-readers, e os que lêem demais, os over-readers. Os primeiros acham que estão trazendo algo novo em seu trabalho, mas ainda não descobriram que isso não é verdade; o segundo grupo não consegue estabelecer exatamente o grupo de autores a serem utilizados no trabalho acadêmico, porque lhes sobram referências;

    7)    NÃO deixe erros de ortografia no texto;

    8)    NÃO permita que o escopo do trabalho se torne muito grande: não é aconselhável, como a autora explica, tentar trazer toda a história do feminismo para um trabalho apenas com o intuito de analisar o clipe da música Single ladies, da Beyoncé. Os melhores trabalhos falam de algo específico, com as partes adequadas dos conteúdos tratados.

    9)    NÃO escreva uma exegese curta, corrida e básica: esse tipo de texto, que se soma a trabalhos nos quais o doutorando se propõe a realizar uma produção fílmica, literária ou de outro campo de produção cultural como tese, deve falar sobre o porquê daquilo ser feito, não apenas a maneira e as técnicas. Uma exegese precisa começar a ser construída junto com o produto.

    10) NÃO submeta à banca uma tese com uma introdução ou conclusão curtas: a introdução deve estabelecer o recorte teórico com precisão e detalhes, enquanto conclusões devem lembrar das contribuições para o conhecimento, significado para a pesquisa na área e identificação dos problemas e falhas do trabalho.

    Ao examinar essas recomendações da canadense Tara Brabazon, o professor Braga, da Unisinos, observa que isso tudo pode ser mais importante para orientadores do que para orientandos. “Essas coisas, quem tem que dizer para o aluno é o orientador”, salienta. “O orientador, por possuir mais experiência acadêmica, tem mais condições de enxergar esse tipo de prolema do que o estudante.”

    Algumas das dicas da professora de Ontario se inter-relacionam, segundo Braga. A primeira, por exemplo, dialoga com a sexta. “Se a bibliografia está pobre, provavelmente a pessoa é um under-reader“, explica o professor da Unisinos. Outra correspondência que ele percebe está entre as dicas número 3 e número 10. “Se a pessoa não souber o que é a sua contribuição para o campo, certamente não vai saber fazer isso chegar a uma introdução e uma conclusão”, aponta.

    Nem todas as dicas, alerta Braga, valeriam para TCC. O professor sublinha que, para o estudante de graduação, é mais interessante se focar nos problemas que falam de questões formais: “Tem a bibliografia, que deve ser bem escrita; tem a ortografia, que se resolve com um bom revisor”.

    Sobre as leituras e a quantidade de livros a serem devorados, o professor assinala que essa não deve ser uma preocupação tão grande para o aluno de graduação que está encarando o TCC: “Lendo três ou quatro livros pertinentes àquilo que o trabalhao estuda e sabendo acionar os autores com qualidade dentro do texto, o aluno chegará ao que importa.”

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    15 de Janeiro de 2012 às 12:14 pm

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