Lorena Risse
Estagiária de jornalismo
Estava finalmente a mais de cem milhas do arranha-céu mais próximo e sentia a liberdade sussurrando ao pé do meu ouvido.
O sol entrava pela janela do carro e os ventos anunciavam o desembaraçar dos meus cabelos. A paisagem passava rapidamente pelos meus olhos, mas mesmo assim eu decorava cada detalhe que vira.
A estrada estava deserta, sem nenhum daqueles sons gerados pelos sentimentos urbanos, sem nenhuma preocupação com horários ou com pessoas, apenas um caminho a ser seguido.Ao virar à esquerda, eu pude avistar meu destino. “Enfim a sós”, eu disse ao velho amigo que se aproximava a cada segundo.
Ele estava do mesmo jeito que eu encontrara da última vez que nos vimos. A ocasião foi em novembro do ano que passara, um verão recém chegado e uma vontade imensa de me deitar em seus braços fortes e maleáveis, vontade de deixar meus cabelos serem salgados pelos seus beijos e de me deixar mergulhar na sua voz sublime.
O lugar estava extremamente iluminado, a temperatura me fazia transbordar de prazer, a textura do chão era familiar, a linha do horizonte me mostrava onde eu queria chegar e o velho amigo estava pronto para ouvir minhas confissões.
Rapidamente senti minhas vias nasais sendo invadidas pelo cheiro de tranquilidade, senti minha pele se enchendo de minúsculas partículas de sorrisos, senti meus pés serem cobertos de liberdade e o meu órgão vital avermelhado perdendo todos aquelas aflições que à milhas me entristeciam.
Vagarosamente eu dei os primeiros passos em direção à ele. Despi-me de todas aquelas cascas inúteis e como uma apaixonada esqueci a palavra que deu início a esse parágrafo e corri para os lindos lençóis azuis.
Cinco segundos em estado de transe, meu corpo estava envolto pelo segundo estado físico da matéria, meus pulmões armazenavam o terceiro estado e o primeiro era encontrado no fundo, onde meus pés tentavam chegar.
Era tão bom retornar, era tão bom ver o velho amigo mar, era tão bom purificar meu peito e esquecer todos os defeitos de uma vida urbana.
Soberano Sol, crianças, lençóis azuis, sapatos sem cadarços, areia da cor da paz, mente limpa… Sentindo tudo isso eu pude enfim entender o quão grandiosa é a obra prima do artista, o quão ínfimos somos quando o assunto é natureza e o quanto eu sou grata pela dádiva de poder sentir o aroma de maresia, sentar em um tapete natural e olhar o espetáculo do pôr-do-sol.
O final desse reencontro não podia ser diferente, abri os braços e agradeci a quem deveria por ter me mostrado o caminho do verdadeiro paraíso terrestre.
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16 de Junho de 2009 às 4:51 pm
Lindo!
lindo! ai, que saudade do mar…
Ótimo texto!! gostei da dose de sentimentalismo, sem exageros… não são todos que, como nós, “percebem” o mar dessa maneira.. Parabéns!