Marcelo Grisa 
Estagiário de Jornalismo
Nos últimos anos, o mercado de quadrinhos vem experimentando um diálogo cada vez maior com a literatura. Os clássicos brasileiros também não ficam de fora, como é o caso de Os Sertões, de Euclides da Cunha, em lançamento da editora Desiderata.
O roteirista Carlos Ferreira e o desenhista Rodrigo Rosa autografam a obra na terça-feira, 21, no Bar Tutti Giorni, nos altos do Viaduto Otávio Rocha, na Avenida Borges de Medeiros, 788, em Porto Alegre, às 20h30min.
O gibi mostra os bastidores da Guerra de Canudos, em uma livre adaptação do livro original, usando outras fontes de pesquisa, incluindo um diário de campo do autor. A HQ insere o próprio Euclides como protagonista da história.
Rodrigo Rosa falou com o Portal3, diretamente de São Paulo, onde lançou o livro nesta sexta. “Desde o início, encaramos com responsabilidade, para fazer jus a essa grande obra”, relata. Foram cerca de seis meses de trabalho até a obra ficar pronta, contando inclusive com uma visita a Canudos. “Tivemos problemas, a editora fechou, e a gente precisou esperar um tempo (dois anos) até a nova editor
a chamar e podermos concluir o trabalho”, explica o quadrinista.
Na década de 80, houve experimentações – muitas mal-sucedidas – de tentar mesclar os dois gêneros narrativos. Os resultados mais pareciam resumos. Hoje, há uma maior ousadia por parte dos autores, que fazem poucas edições, transformando a obras completas em grandes histórias com representações gráficas condizentes.
Obras clássicas – e polêmicas – já foram transpostas para os quadrinhos; a editora japonesa East Press adaptou para os mangás os livros Mein Kampf (escrito por Hitler na prisão) e O Capital, de Karl Marx (este último lançado em meio à crise econômica internacional de 2008-2009).
17 de Dezembro de 2010 às 4:49 pm