Gilberto A. Dutra
Estudante de Jornalismo da Unisinos
A Expointer já faz parte da cultura dos gaúchos. Já são 40 anos do evento em Esteio. Sempre com excelente público, a Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários atrai pessoas de todas as idades, que visitam o Parque de Exposições Assis Brasil para lazer ou negócios. Em menos de dez dias os animais de pequeno e grande porte chamam a atenção de crianças e adultos. Competições como o Freio de Ouro também agradam os participantes. Mas, para alguns, o local tem outros encantos.
Sem interesse em animais ou exposições, alunos aproveitam a visita à Expointer para “azaração”, como fazem os meninos da Escola Municipal de 1° Grau Décio Martins Costa, de Porto Alegre. Entre 14 e 15 anos, Leandro Antônio, Richard Lemes, William Aguilera e William Borges afirmam que estão “caçando” no Parque de Exposições, aproveitando o clima agradável e o sol forte. A ideia é não perder tempo, beijar o maior número de meninas até as 16h, quando termina o passeio. A tática utilizada por eles é “chegar chegando”, como dizem.
– É pegar e não se apegar. Melhor ainda. Beijinho e tchau! – explica William Borges.
Parados em um dos corredores da Expointer, os quatro alunos observam o movimento de quem passa. O celular serve como rádio, tocando “funk” para apreciação do grupo. Sem esperar muito, três alunas da Escola Estadual de 1° Grau Jardim Nossa Senhora Aparecida, de Alvorada, que passavam pelo local, tornaram-se as novas “tentativas” dos meninos. Dessa vez, sem sucesso.
As alunas Valeria Noronha, Jenifer Luciane e Diessi Teixeira, todas com 14 anos, afirmam que, diferente dos meninos, elas já olharam tudo no parque e agora queriam aproveitar. A principal atração da Expointer tinha sido os cachorrinhos.
Para as meninas, beijar alguém exige alguns critérios, como explica Deuriene Pohlma, 15 anos, da Escola Estadual Barão de Lucena, Viamão.
– Tem que ter conversa. E o guri que eu fiquei já era meu amigo.
Suas colegas Allana Bahia, 14, Paula Sagat, 15, e Fernanda Pegorato, 14, citam outros critérios.
– Pra mim tem que ser bonito! – afirma Paula Sagat, confirmando que não se importa se for desconhecido.
Enquanto utilizam blusas e roupas mais soltas, em suas mochilas guardam a camisa da escola. Como não poderiam viajar sem estar usando o uniforme obrigatório, trocaram-se na Expointer, com a intenção de ficar mais bonitas. Pode ser a roupa de uma festa, ou uma roupa comum. Mas uma coisa é certa tanto para os meninos quanto para as meninas: não é por ser Expointer que devem utilizar roupa de “cowboy”, peão ou prenda. O velho e bom conjunto calça jeans e camisa ainda faz sucesso entre os adolescentes.
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1 de Setembro de 2010 às 4:28 pm