Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
“Porque o jornalismo é uma paixão insaciável. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.” Gabriel García Marquez expressa, em um de seus mais famosos textos, a paixão que me move.
Quarta-feira, 17 de julho de 2009, foi um dia de luto para nós, futuros jornalistas. A casa caiu. Por oito votos a um, decidiu-se que o diploma não é mais obrigatório para exercer a profissão de jornalista. Ao longo da sessão, fomos comparados a cozinheiros. Ministros disseram que nossa profissão não requer tantos conhecimentos quanto à medicina ou o direito. Senti-me ofendida, menosprezada, indignada.
Inúmeros são os argumentos que podem ser usados contra a decisão do Supremo. Porém, o de caráter essencial é o direito da população a uma informação de qualidade, que seja tratada democraticamente, prezando a ética e a honestidade. Para que informações com essas características cheguem ao público, é preciso que elas sejam oriundas de uma prática profissional qualificada para tal, baseada em conceitos éticos e democráticos. Fica mais do que evidente que a maneira de desenvolver tais habilidades é através de um curso superior de graduação em Jornalismo. A paixão que move a nós, jornalistas ou futuros jornalistas, não é suficiente para nos tornar profissionais impecáveis como os consumidores de informação exigem.
Obviamente, não se pode fechar os olhos para a existência da chamada liberdade de expressão em nosso país. Qualquer cidadão que tenha uma opinião coerente encontra na mídia brasileira, uma das mais democráticas do mundo, um terreno onde possa se expressar. Para tal, existem artigos assinados por profissionais das mais diversas áreas. Há espaço nos meios de comunicação para todos. Mas tal brecha não pode e nem deve tentar substituir o exercício do jornalismo.
O curso superior em Jornalismo não ensina somente a escrever. A escola de jornalismo no Brasil – que teve seu embrião em 1947, na fundação da Faculdade Cásper Líbero – traz ao aluno conhecimentos sobre aspectos essenciais da sociedade vigente, despertando assim um posicionamento crítico e coerente diante dos fatos, tornando-o apto para transmitir a notícia e os acontecimentos da maneira mais imparcial possível. Aprendem-se os métodos lícitos para obter informações, para conservar uma fonte, para lidar com o conflito entre ideologia e interesse público. É na escola de Jornalismo que a paixão passa a ser ofício, a seriedade toma o lugar da empolgação. É onde se percebe que fazer jornalismo não é somente soltar palavras em um papel, mas sim pensar nas consequências que as frases trarão e nos efeitos sociais e políticos resultantes de sua repercussão.
O jornalista é o porta-voz da sociedade, colocando de uma maneira coerente aquilo que a indignação não deixa expressar de forma compreensível por aqueles que não possuem os conhecimentos teóricos do jornalismo. É a formação e a legitimação da profissão de jornalista que permite debates coerentes e experiências coletivas.
Manifesto aqui a minha indignação. Continuo sendo a favor do diploma, da legitimação do pensar e do fazer jornalístico. Apóio a ideia da aprimoração constante do ofício, sem perder a paixão pela notícia. Tratarei sempre a reportagem como uma obra, fruto de estudo, suor, fervor e, principalmente, de uma formação legitimada. Isso é a profissão Jornalismo. E é esse o meu motivo de orgulho.
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18 de Junho de 2009 às 5:15 pm
Só convence quem está convencido..Belo texto Raquel..depois desse texto, o meu motivo de orgulho é ser colega de vossa senhorita..hehe