Natacha Kötz
Estagiária de Jornalismo

Marie Curie, a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel
Esta última segunda-feira, 8 de março, teria sido um dia comum se não fossem as rosas e os parabéns. Na padaria, no mercado, no ônibus e no trabalho, todos exclamavam: “Parabéns pelo teu dia!”. Isso quando a frase não vinha acompanhada de uma rosa vermelha.
Durante alguns segundos, eu até tentava entender o porquê de estar sendo parabenizada. Depois de ficar com cara de boba por um instante, eu me lembrava que aquele era o Dia Internacional da Mulher, largava um sorrisinho amarelo e agradecia, na tentativa de que minha fama de mal-humorada não aumentasse. Mas por que raios eu estava recebendo parabéns por ser mulher? Seria algum prêmio de consolação por (quase sempre) receber os salários mais baixos? Ou seria por ter menos oportunidades de emprego? Ou então seria por que o mundo pertence aos homens brancos de determinada classe social? É Dia Internacional da Mulher, Dia Nacional da Mulher, Dia do Índio, Dia do Parkinsoniano (portadores do Mal de Parkinson), Dia do Idoso, Dia do Deficiente Físico, Dia da Criança, enfim… E o homem branco? Não tem dia por quê?
O programa Fantástico do último domingo, 7, propôs uma enquete. Foram instaladas urnas em quatro capitais brasileiras que perguntavam para homens e mulheres qual o presente ideal para a ocasião. Havia somente quatro opções de resposta:
1) Um emprego ou uma promoção
2) Um corpo sarado
3)Um namorado ou um marido novo
4) Um filho
Não acreditei quando vi as opções de voto. Estereotiparam a mulher como um ser humano que só se importa com aparência e com o sonho de ter um marido perfeito e um pestinha agarrado na saia. Não podemos culpar os produtores da enquete porque ela realmente faz sentido. Boa parte das mulheres do país acredita que deve viver para ser mãe, mulher e dona de casa.

Amelia Earhart, primeira mulher a sobrevoar sozinha o Atlântico
Meus avós vivem em um casamento em que não existe tarefa masculina ou feminina. Os dois sempre se ajudam. Mas ouço com frequência as
pessoas fazerem comentários do tipo: “Que bom que ele te ajuda”, “A senhora tem que agradecer por não precisar cozinhar todos os dias”. Infelizmente ainda existem mulheres que aceitam viver para cuidar do marido, dos filhos e da casa.
Como simpatizante do movimento feminista (que luta pela igualdade de direitos e não pela inferiorização do homem), penso que o dia 8 de março deveria ser uma data para protestos, reflexões, uma data de luta pela igualdade e não de homenagens vazias e distribuição de flores.
Eu pensei estar vendo uma luz no fim túnel quando li que prefeituras de várias cidades do país estavam planejando uma programação especial para a semana da mulher. Imaginei palestras que mostrassem os direitos da mulher, mulheres que lutaram pelos seus ideais, mulheres influentes no mundo, pioneiras em determinadas ações, enfim… Mas na programação só havia oficina de corte e costura, curso de culinária, decoração de bolos e tortas, maquiagem e coisas do tipo.
Isso acontece porque as mulheres de hoje ainda não se deram conta de que a luta que Susan Anthon começou lá em 1870 para que a mulher tivesse direito ao voto ainda não terminou. Ainda temos que percorrer um longo caminho para que possamos receber o mesmo salário e ter os mesmos direitos que o homem. Mas não podemos esperar uma solução de quem ainda não se deu conta do tamanho do problema.
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11 de março de 2010 às 4:51 pm
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