Lorena Risse
Estagiária de Jornalismo
A alegria de reencontrar aqueles que a geografia separa é uma das melhores sensações humanas. Sarah sabia disso e esperava ansiosamente pela aeronave que trazia no seu interior as duas pérolas que completavam seu colar.
O coração pulava dentro da cavidade cardíaca e suas mãos estavam geladas, os olhos ferviam em suas órbitas e os lábios já estavam mordidos, as unhas eram inexistentes e a respiração ofegante, até que uma voz mecanizada de timbre doce anunciara que era chegada a hora de o sol brilhar.
O portão de desembarque floriu-se, as hastes metálicas transformaram- se em troncos lapidados de madeira, os guardas eram vendedores de flores, as portas de vidro desmaterializaram e uma vasta arena fora vista. A brisa era fresca e as aves pairavam sobre nós como se saudassem os bons fluídos.
De repente, os olhos de Sarah sentiram o prazer de admirar a melhor das imagens, as narinas puderam sentir aquele perfume que há tempos não sentia, as mãos puderam tocar os rostos morenos, o coração pôde se acalmar diante daquele tesouro.
Durante algumas semanas ela pôde confessar todos os segredos guardados, pôde pentear os cabelos mais lindos do mundo, pôde rir de todas as coisas que mereciam tal graça, pôde admirar o nascer do sol, pôde dizer a cada dia a frase mais purificadora de todas, aquela que os iluminados falam e os sortudos escutam, aquela…
Percebeu quanto o tempo passa rápido quando se está com quem se ama como as noites e os dias são confundidos com tardes, como lavar louça se torna um bom motivo para rir, como fazer o almoço se torna uma das melhores horas do dia, como dizer “Boa Noite” traz bons sonhos.
Como a vida dela era igual à de todos os mortais, teve de abdicar daquilo que a fazia feliz… Daquelas duas pérolas.
Era chegada a hora da passagem de volta… A mala fora arrumada com lágrimas nos olhos, o banho foi tomado com uma angústia do peito, o café estava amargo… O caminho estava cinza e o céu foi descolorindo ao passo que íamos chegando. As mãos estavam coladas com uma cola especial, os corações estavam apertados e o choro estava engatado na garganta…Ao chegarem ao grande portão de desembarque, não o reconheceram, era cravado de pilares de concreto, as portas eram de um vidro fosco, as hastes que foram de uma linda madeira haviam voltado ao metal, as aves negras voavam em círculos e não havia nenhum rastro de brisa…
Logo a voz metálica se pronunciou com um timbre grave e perturbador, era hora do sol se pôr e a chuva dar o ar da sua graça…
Sarah sentiu seus olhos secarem, suas mãos perderem o sangue, a garganta arrebentando e os rostos se afastando… A imagem perfeita se perdia no meio da multidão apressada deixando para trás um coração amarrado em faixas brancas.
Como um lugar pode ser tão forte assim?
Portões de aeroportos, rodoviárias, estações de trem… Todos eles dão ou tiram a melhor sensação humana, dão o sorriso a um rosto triste, tiram o brilho dos olhos de alguém, devolvem a certeza de que o amor existe, acabam com qualquer caixa de lenços, provocam explosões sentimentais, dão força para seguir em frente e lutar para que o próximo reencontro possa ser melhor do que o que se passou…
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Contudo, crônica, embarque, portões, rodoviárias, saudade
28 de Abril de 2009 às 4:22 pm

Bah Lorena!
Tenho um grande apreço em ler teus textos. São cheios de enredos literários, doces, sentimentais, tocantes. E este em especial me fez lembrar de pessoas distantes que guardo no coração. Felizmente alguns voltam ainda este mês e estou muito emotiva com o reencontro.
Parabéns pelo texto!
Continue deixando aflorar toda a tua criatividade e sensibilidade
bjo