Português: todos erram
Paola Oliveira
Estagiária de Jornalismo
Todo novo meio de comunicação cria uma nova linguagem, uma maneira que as pessoas inventam para se expressar melhor de acordo com o tipo de mídia que estão usando. Com a internet não é diferente. Mais do que produzir uma nova forma de se comunicar, porém, a popularização das redes sociais deixa evidente a dificuldade do brasileiro com sua língua-mãe. Muitos dos usuários de sites de relacionamento como Facebook e Twitter têm ignorado as regras mais básicas do português correto, como ponto em final de frase e acento em palavras de uso diário.
Imprescindíveis para jornalistas e estudantes da área, o uso correto da língua portuguesa e a clareza parecem se chocar com a pressa e o desleixo.
Como devem agir os jornalistas e estudantes de Jornalismo nas redes sociais?
O professor de Jornalismo da Unisinos Pedro Luiz Osório ressalta que a regra prevê que todo material jornalístico atenda à norma culta, independentemente do meio, mas faz ressalvas: “Para um público segmentado, que domina o jargão da área e a linguagem usada na internet, não creio que usar a referida linguagem seja problemático”. O professor, que também preside a Fundação Cultural Piratini, diz que todo jornalista deve se esforçar para que o compreendam bem. Para isso, o mais adequado seria usar a norma culta sempre que possível. “A obrigação primeira de qualquer jornalista é fazer-se entender. Tudo depende do público que estamos buscando”, comenta. Ele opina que nas páginas pessoais, cada um deve decidir como acha melhor escrever.
Para Cláudia Presser Sepé, professora de Português nos cursos de Comunicação da Unisinos, o estudante da área jamais deve descuidar da norma culta em um grupo profissional, como o grupo de Jornalismo da Unisinos no Facebook, por exemplo. “O registro formal também admite expressões mais informais como ‘legal’, ‘bacana’, até um ‘show de bola’, especialmente nesse contexto”, explica. “No entanto, erros ortográficos não podem ocorrer.”
A professora abre uma exceção para erros não intencionais, como erros de digitação devidos à pressa, comuns na internet, mas é enfática quanto ao dever da pessoa em função da profissão que escolheu: “A pessoa não pode se descolar do papel institucional que representa nos contextos em que o está assumindo”. Depois de escrever qualquer nota, não custa muito dar uma revisadinha.
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5 de Março de 2012 às 3:30 pm


