Renata Strapazzon
Estagiária de Jornalismo
Outro dia ao corrigir uma notícia redigida por mim, um professor me repreendeu: “O jornalista não pode jamais se envolver nos problemas da fonte”. Mesmo sem ter gostado muito da dica do mestre, não expressei nenhuma reação quando ele começou a modificar minhas palavras no texto. No caso daquela notícia, vá lá, até que não era mesmo necessário tanto detalhamento e sentimentalismo na escrita. Mesmo assim, continuei abusando do meu “envolvimento”, até mesmo nas pautas mais simplórias do dia a dia, principalmente nas que envolvem crianças e animais. Não tem jeito, é o meu estilo de escrever.
Pois na sexta-feira, 9 de abril, encontrei nas páginas de Zero Hora, uma reportagem que transbordava emoção. No calor do assunto sobre os deslizamentos em Niterói, uma matéria intitulada Dramas sob a lama e o lixo me fez chorar. No jornal, não encontrei a autoria da reportagem, que tratava, entre outros tristes casos, da história de Taiane. A menina de 13 anos teve seus sonhos sepultados no meio da lama, juntamente com a mãe, a avó e outros três familiares no Morro do Bumba.
Essa foi a segunda vez, só neste ano, que derramei lágrimas lendo o jornal, em pleno trabalho. A primeira, fora em janeiro, com a cobertura do terremoto no Haiti. Naquela oportunidade, ao lado de uma foto estourada do salvamento de um pequeno haitiano, uma matéria aos moldes comoventes descrevendo a cena.
Assim como eu, na certa dezenas de pessoas se emocionam diariamente lendo o jornal. Após cada nova tragédia, cada novo título no futebol, cada nova conquista de pessoas simples da comunidade, lá estão textos recheados de sentimento, de minuciosos detalhes que fazem a diferença e tocam o coração dos leitores. Não importa a editoria. Textos escritos com emoção têm sua importância nas páginas do jornal. Afinal de contas, estamos cansados das notícias duras do cotidiano, com palavras triviais, jogadas quase que mecanicamente no relato dos acontecimentos.
O jornalismo de textos mais elaborados, ainda que não vire algo rotineiro, cumpre uma missão que vai além dos nossos deveres aprendidos em sala de aula: o de apenas informar. Esse tipo de texto “água com açúcar” também tende a transformar. É o texto rico em detalhes que por vezes, derruba conceitos preexistentes, que nos faz por os pés no chão, sentir que a dor do outro também dói na gente, mesmo distantes a milhares de quilômetros.
Por esses e por outros tantos motivos que, o professor que me desculpe, mas essa lição vou fazer questão de não aplicar em todos os meus trabalhos. Meu instinto jornalístico me diz que, se continuar nesse caminho, um dia também arrancarei lágrimas dos meus leitores. Só espero ser em situações que passem longe de terremotos, deslizamentos e outras tragédias.
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12 de Abril de 2010 às 5:57 pm
E são os textos que mais prendem o leitor.
Assim como este seu Renata.
Parabéns!
Parabéns Renata!
Muito bom e bem pensado o teu texto!!