DOMINGO, 14 de MARÇO de 2010
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Quando o presidente fala merda

Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo

O Lula poderia ter aprendido alguma coisa com a Marta Suplicy. Relaxar e gozar, embora seja um bom conselho, não caiu bem na situação do caos aéreo. A exagerada repercussão da mídia com a declaração  nem foi só por ter sido inoportuna. Não faltaram ofendidos para colocar a então ministra do Turismo em maus lençóis, tendo que se explicar por uma declaração, digamos assim, inocente.

E agora, o presidente. O presidente que sabe que o povo está na merda, e quer tirá-lo dessa situação. Que bom. Mas precisa dizer assim, tão claramente? Para mim, tanto faz. E, sinceramente, pouco me importo com qualquer merda que o presidente queira dizer.

Acontece que ele sabia o que isso causaria, e declarou ao G1: “Lógico que eu falei um palavrão aqui, amanhã os comentaristas dos grandes jornais vão dizer que o Lula falou um palavrão. Mas eu tenho consciência de que eles falam mais palavrão do que eu todo dia e tenho consciência de como é que vive o povo pobre desse país, e é por isso que queremos mudar a história desse país.”

E o Lula tinha razão. Os comentaristas de todos os grandes jornais deram destaque ao “deslize” do presidente. Teve até um que disse que isso seria um mau exemplo para as nossas crianças, que ao verem que o presidente pode, iriam querer falar palavrões também. Não precisamos chegar a tanto, caros jornalistas. Mas o presidente também não precisava.

Refazendo a equação: o Lula falou “merda”, já tinha um exemplo como o da Marta para saber que boa coisa não ia dar, declarou inclusive ter consciência de que iria repercutir, como de fato aconteceu. A pergunta, então, é: para quê?

Não adianta criticar a imprensa, que “perde tempo” dando destaque para casos como esse. De fato, não há nada de errado em falar merda, e o presidente tem razão quando diz que todo mundo fala. E fala até mais, e pior. Mas não podemos esquecer que Lula é o governante máximo do país, então, esperamos dele uma determinada postura. Única e simplesmente, não precisava.

Dia 11 de dezembro de 2009



  • mateus ferraz disse:
    14 de dezembro de 2009 às 12:41 pm

    maria, concordo contigo que não precisava usar a palavra, mas também acho que, nesses casos, aparece um sentimento moralista que não costumamos usar no dia-a-dia.
    o presidente falou que quer tirar o povo da merda. enquanto ele não tira, o povo continuará na merda.
    se ele dissesse que quer tirar o povo de sua situação desfavorável economicamente, o povo tb continuaria em sua situação desfavorável economicamente até ser socorrido.
    assim, beirando 2010, temos que pensar em outras atitudes de governantes (envolvendo cuecas, dutos, gates) que são bem mais graves que qualquer palavrão dito em comício e que nem sempre são lembradas em frente às urnas.

    um beijo.

  • Maria disse:
    14 de dezembro de 2009 às 12:54 pm

    mateus, concordo contigo plenamente.
    mas não se trata de moralismo, tanto que afirmo que pra mim, sinceramente, tanto faz o presidente dizer isso ou aquilo. admiro a sinceridade dos discursos do Lula, sem floreios e blablablás. apenas acho que constrangimentos poderiam ser evitados, já que o presidente conhece nossa imprensa e sabia das reações que causaria.

    um beijo pra ti também.

  • Marcos disse:
    1 de janeiro de 2010 às 1:41 am

    Não me incomoda nem um pouco o presidente ter falado “merda”. Incomoda falsos moralistas que se aproveitam da situação pra “bater” no presidente. Coisa que tenho certeza, não incomoda nem um pouco. Se o presidente tivesse falado da forma “politicamente correta”, ninguém tinha dado bola. Enfim, o presidente foi genial mais uma vez. E garanto que ele não dá a mínima pras críticas, ele tem uma aprovação acima de 65% por ser diferente. Os moralistas deviam aprender um pouco com ele.

    Abraço, parabéns pela coluna.

  • Alexandre Rodrigues disse:
    26 de janeiro de 2010 às 2:26 pm

    Mais uma vez, Lula lança mão de falar algo de efeito para atrair ainda mais os holofotes para cima dele. Cai muito bem em ano eleitoral.

    Por outro lado, nossa população é tão indiferente à postura e senso que um governante deve ter que continua provocando altos índices de aprovação para nosso primeiro mandatário. Normal! Esperar o que de uma população formada por “pessoas desconhecedoras de política”? Se eu fosse o Lula chamaria de outra coisa!

  • Alexandre Rodrigues disse:
    26 de janeiro de 2010 às 2:27 pm

    Isto sim é uma merda!

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