Andrei Andrade
Estagiário de Jornalismo
Tenho inveja de quem sabe falar bem, de forma clara e com eloquência em boa medida. A dificuldade que tenho para me expressar oralmente é de dar pena. Foi por força disso que desenvolvi o costume de escutar bastante e falar pouco além do necessário – considerando somente os dias de sobriedade. Mais por necessidade do que por filosofia. De qualquer forma, conforta-me a frase do Buda, no primeiro dos oito passos para a iluminação: “Se não tem nada de útil a dizer, guarde o ‘nobre silêncio’”. Só não sei se ele praticava a própria doutrina, pois tudo o que se conhece do budismo vem dos seus discursos falados. Também não dá pra confiar muito em gordo que prega jejum, mas vá lá.
Meu problema começa com a falta de concentração na formulação do pensamento que irá virar fala, e vai até o desastre da língua presa à la Romário, o que causa algum constrangimento na hora de falar, tão logo as palavras vão saindo. Por isso, muitas vezes encurto frases e acabo inibindo bons e maus argumentos que poderia expressar. É como o canhoto, que escreve encobrindo o que acabou de escrever e geralmente se frustra quando vê o resultado do que fez. Preciso acrescentar que sou canhoto também? Até pra falar!
Pior do que falar pouco, só mesmo falar demais. Há quem consiga falar até dez palavras por segundo, pelo simples prazer de não dizer nada. Estes ainda costumam se expressar em alto som, imaginando sempre grandes platéias a lhes ouvir. É impossível ficar indiferente a eles, em qualquer ambiente. Talvez um zen-budista consiga.
Porém, o que consegue ser ainda pior é a intrínseca ligação entre o vício da tagarelice com a inabilidade de escutar o que vem do outro. Acaba em frustração qualquer tentativa de diálogo com uma pessoa que nasceu pra discursar. Nestas conversas, em que não há interlocução, me sinto uma mera paisagem no ambiente de quem está com a palavra.
É por isso que prezo inestimavelmente os que sabem conversar. Que geralmente são aqueles que têm o que dizer, e quando não têm conseguem curtir um instante de silêncio, ou apenas ouvir o que seu interlocutor tem a dizer. Conversar deve ser sempre uma troca, não importa se o outro tenha a língua presa.
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2 de Junho de 2009 às 3:53 pm
Para ti meu querido, te digo que acho um charme a tua língua presa…Além da tua habilidade indiscustivel com as palavras!
Não acho que tenha que te sentir constrangido pela língua presa, como disse o outro comentário, é teu charme. Mas ser canhoto é teu defeito…hehehe(brincadeira)
E se não te expressas bem para falar, tens um grande consolo cada vez que o faz por escrito.
bjus
Com prazer, estou lendo alguns dos textos que escreveste.
Com alegria, percebo a beleza dos mesmos.
Com orgulho, por seres da nossa querida São Chico e por ter acompanhado boa parte da tua vida, do teu crescimento.
Quanto à língua presa, os comentários acima já disseram: é um charme.
Beijos,
Clara
Quisera ter eu a desenvoltura com que escreves textos tão poéticos e nostálgicos como os que nos tem brindado. Falar de São Chico, da nossa família, do frio daquela terra nos faz acreditar que estamos diante de um orador e não interessa se ele tem a língua presa ou não. Isto passa a ser apenas um detalhe. Orgulhe-se sempre de ser o que é!
Bjos da dinda orgulhosa.
Falou pouco, mas falou bem! Acredito que Deus nos da os “dons” na medida certa. O seu pelo que vejo, ao menos um deles é colocar no papel as complexas percepções de uma vida contemporânea.
Um grande abraço.
Obs. Vê se escreve algo sobre o clássico de hoje (5 de junho)e aproveita pra se “redimir” comigo.
Andreiii!!! Acho que tu te espressas tão bem, ou seja, na medida certa! Sempre dá umas dentro hahaha (te prometi isso)! Sério mesmo cara, tu formulas bem teus discursos e sempre são convictos, pena que nunca concordo com eles!! hehehe Parabéns pelo texto!
Meu querido amigo, Andrei:
Só não concordo com o pessoal acima quando eles atribuem charme a tua língua presa. A mim, pelo menos, nunca pareceu charmoso. E olha que sou um homem sensível, contrariando a maioria da nossa classe. (Risos). Brincadeiras a parte, muito bom o teu texto. Na verdade, a qualidade dos homens (e das mulheres)está no fato de falar e agir com o coração e para isso não é preciso saber falar. Tu és uma pessoa especial pelo teu jeito humilde, amigo, inteligente e oportuno de se expressar. E estas qualidades independem de se saber falar. Estas qualidades podem ser expressas com a escrita, com o coração, com o corpo, com os olhos. No teu caso, fazes muito bem com as duas primeiras alternativas. Há quem não saiba fazer nada disso. Apenas falar e não dizer nada. Um grande e afetuoso abraço, meu amigo!
Parabéns. Teu defeito não é lingua presa, pode até ser virtude, o teu defeito é o time que tu torce.
Um abraço.
Ike
Andrei,
O que se sente mais falta hoje em dia é de alguém que tenha o que dizer. Você tem conteúdo. “Tambor é barulhento, mas oco por dentro”, já dizia o Barão de Itararé. Muitos comunicadores nossos são tambores apenas. Sobre língua presa, seis meses de tratamento fonoaudiológico vão mudar a tua vida (muitos não levam a sério, infelizmente, mas eu comprovei isso). E para se comunicar bem é preciso se arriscar e não ter medo de mostrar tua visão de mundo. Sucesso!
Andrei!!!
Lingua presa? nao notei..diante de tanta inteligencia que tem…
abracos!!