Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
Adicionar

Adicionar

Supersticiosa por um dia

Maria Maurente
Estagiária de Jornalismo

Como pode uma pessoa totalmente cética passar um dia assombrada pelos mais terríveis medos do desconhecido? Pois faça com que ela se depare com uma série de coincidências inexplicáveis. Não sou do tipo supersticiosa, não sou mesmo. Não acredito em simpatias, previsões, astrologias. Até pela sessão de horóscopo dos jornais e revistas passo reto (o que, lógico, é mentira).

E assim sigo feliz, sabendo que entre o céu e a terra há mais coisas que a minha vã filosofia possa explicar, mas totalmente conformada com isso. O que quero dizer é que não procuro no sobrenatural explicações para o inexplicável, apenas aceito que certas coisas não há como compreender mesmo. E essas coisas, as incompreensíveis, não me dão medo. Ou não me davam.

Acontece que noite dessas, tive um sonho horrível. Raramente lembro do que sonho, e acho mesmo que tem noites em que a minha cabeça fica tomada de um total e completo vazio. Mas, como dizem por aí que sonhamos, sim, todas as noites, acredito. Pois bem, sonhava eu que havia matado uma pessoa.

Não lembro quem era, nem sei se durante o sonho cheguei a saber. Nem lembro como a matei, ou se tive ajuda para isso. Lembro, sim, do dilema ético que dominou a minha noite, que de tranqüila passou a agonizante. Indecisa entre entregar-me para a polícia ou ocultar o cadáver, não sabia para que lado correr. Mas corria. Inexplicavelmente, corria. De um lado para outro. Passei a noite correndo. Correndo da culpa, do medo, de mim, sei lá. Acordei como se tivesse disputado a maratona, e perdido. Triste e exausta. Demorei alguns minutos para processar o que havia acontecido. “Oi, foi sonho. Eu não matei ninguém, ufa”.

No mesmo dia, já parcialmente recuperada, caminhava pela Feira do Livro com um amigo enquanto contava o pesadelo que havia tido. Foi quando um livro praticamente se jogou nas nossas mãos. “Aqui ó, Maria, significados dos sonhos…Sonhar que matou alguém: morte para quem sonha“. A minha reação foi a única que se pode esperar de uma pessoa cética como eu. HÁ HÁ HÁ. Até parece! Vou lá eu acreditar nessas bobagens…

Eis que em um balaio, daqueles que devem ter uns 200 livros enfileirados, bato o olho em um. Mas, assim, di-re-to naquele. Se chamava “A morte, o sono e o viajante”. Ok, estremeci. Juntei dois mais dois e cheguei à óbvia conclusão: “Cara, eu sonhei que estava matando alguém, o que significa que eu vou morrer, segundo o livrinho aquele. Depois, bato o olho nesse livro. Cara, eu vou voltar de ônibus pra casa. Pensa: a morte, o sono e o viajante. EU VOU MORRER DORMINDO NO ÔNIBUS, CARA”.

Compartilhei com meu amigo a constatação entre muitas risadas, afinal, sou cética. E cética que sou, tomei meu rumo. Fiz o que tinha que fazer, fui a um evento muito legal, conheci pessoas legais, fui para a parada, peguei meu ônibus, recostei-me confortavelmente na poltrona reclinável, encontrei a melhor posição…e não preguei os olhos. Porque sou cética, mas não sou boba.

Nenhum post relacionado.

17 de novembro de 2008 às 4:41 pm

5 Comentários para “Supersticiosa por um dia”

  1. Gui disse:

    huehuehuehue… me matei rindo! mt bom. Parabéns

  2. Flavinha disse:

    Hahahahaha… Muito bom, Maria.

    Adorei o final: “… sou cética, mas não sou boba.”

    Parabéns.

  3. Tiago disse:

    òin Maricota, que amor. nem morreu nada!
    =*

  4. Luiza disse:

    haha muiiito bom Mariaa… mas eu sei que tu lê o hosróscopo todos os dias como eu, mas sempre diz que não acredita! hahaha. beijoss

  5. Iara Maurente disse:

    Não é de sonho que se morre.
    A gente morre de vida.
    Adorei!!!

Deixe um Comentário

© Copyright 2009, AgexCOM