Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
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  • Técnicas de dissuasão

    Andrei Andrade
    Estagiário de Jornalismo

    Já estou convencido de que o pior da queda da obrigatoriedade do diploma é ter que falar mal da minha futura profissão, apelando pra mentira. Sim, mentir que o jornalismo não é lá essas coisas, não tem graça (a mentira) e paga salários infames (a verdade), tudo praqueles amigos que fazem cursos como Medicina, História ou Bioquímica não pensarem em virar concorrentes no mercado. Esses dias um amigo do Direito falou que iria virar jornalista jurídico. Minha sensação foi como de um aluno da terceira série que leva um cuecão de um da oitava. Assédio moral, daqueles de engolir o choro ou os palavrões.

    Por que raios um advogado, um professor ou um pesquisador vai querer entrar numa redação pra viver estressado e mal-pago? Jornalismo é um saco, meus amigos. Entendem? E agora, então, com a internet engolindo a mídia tradicional, não vai sobrar uma redação de jornal sequer pra virar museu. Eu é que vou virar matemático e concorrer com os acadêmicos da licenciatura. São algumas balelas que já ando espalhando por aí.

    Outro desdobramento curioso da gentileza do STF: agora até quem não diferencia uma caneta de uma enxada sente-se no direito de ter pena de um estudante de jornalismo. “Coitado, era tão feliz”. Deixa. É aquilo que aprendemos como a teoria do agenda-setting. Um assunto só vira pauta da sociedade quando a mídia resolve noticiar e insistir nele. E lá vai a fragilidade da nossa classe virar papo de boteco. Por que não debatem a fragilidade do cérebro do Gilmar Mendes?

    Mas após cinco cervejas a gente fica confiante, meus amigos. Estou convencido de que um dia iremos dar risada disso tudo. Dar risada de ser comparado com cozinheiro pelo Mendes. Dar risada de ver nosso nobre ofício ao alcance dos iletrados. Gargalhar de um dia termos lido um título mentiroso como “estudantes se manifestam contra queda do diploma”. Que diploma que caiu, cara pálida? Caiu sua condição de pré-requisito pro profissional de redação, mas nunca sua importância pra verdadeira formação do verdadeiro jornalista. Sim, tô acreditando nisso. Não é com o álcool que a verdade aparece?

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    5 Comentários para “Técnicas de dissuasão”

    1. Raquel diz:

      Adoro esse tom irônico usado até a última palavra do texto. Ignoro as censuras e parabenizo meu colega – jornalista por formação, assim como eu – pelo excelente texto.

      Que Obama que nada… Andrei Andrade is the guy!

    2. Zuara diz:

      Tua segurança e competência já te fizeram jornalista há muito tempo. Com diploma ou sem diploma serás sempre o leitor, o intérprete, o escritor, o comentarista, o crítico que conhecemos desde criança e em quem sempre apostamos.
      Beijos nossos daqui de Floripa.

    3. Carine diz:

      Andrei…
      Qro te dizer q para ser o que vc é, e estar onde está, e principalmente trabalhar nesta area, não é p qlqr um. E sim para qm realmente tem garra, dom e mto amor. Eu te admiro por ter lutado e a cada dia chegar mais perto do teu objetivo. Confesso que cursei 4 semestres de jornalismo na FEEVALE, e q realmente não teria esse dom. Mas posso te dizer que foi maravilhoso pois aprendi muito. Não importa o que vc faz, desde que realmente faça com determinação… assim como vc está fazendo… SUCESSO guri, pois sei q vc vai ainda mais longe…
      Um enorme abraço

    4. Cláudia D. diz:

      Resolvi deixar de ser preguiçosa e vir prestigiar e nobre amigo por aqui!!!E, como já esperava, minha ação foi recompensada pela leitura prazerosa que encontrei…
      Pode crer que médico, historiador ou advogado nenhum poderá tomar o teu lugar, ao menos não com algo que supere o teu desempenho.
      OBS: Medo do que poderá acontecer em algumas mídias que já são “bem mais ou menos” com os diplomados, imagina sem tê-los…
      OBS 2: um colega de curso disse uma frase muito interessante dia desses numa conversa sobre o assunto: “Pra ser Presidente do STF não precisa ter caráter, pq jornalista teria que ter diploma?!”
      Bjo

    5. Nathalie diz:

      Muito bom o texto! Adorei.

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