QUINTA, 11 de MARÇO de 2010
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Uma brecha no portão

André Seewald

Estagiário de Jornalismo

Uma brecha no portão

Vez ou outra, quando meu pai abre o portão para entrar em casa, a Nina, minha cadelinha, foge. É só com meu pai. Comigo ou com minha mãe isso não acontece. Algumas vezes leva um tempo até alguém perceber que ela saiu. Hoje aconteceu de novo. Quem avisou foi o vizinho do lado, que ligou dizendo que a Nina estava na casa do outro vizinho. Dentro do pátio. Não sei quanto tempo passou, mas quando fui buscá-la ela parecia feliz. Pelo menos é o que deduzi pelo abano do seu rabinho.

Tem dias que gostaria de poder fazer isso. Sair correndo na primeira brecha que me derem, deixar tudo de lado e ir para qualquer lugar. Para Nina, a casa do vizinho serve. Não seria bem o meu caso. Mas assim como ela, gostaria de sair um pouco da rotina, mudar de ares, me afastar do meu próprio pátio, que se limita, geralmente, a Novo Hamburgo e São Leopoldo.

A vontade às vezes é de chutar o balde mesmo. Quando algumas coisas parecem não estar dando certo, largar tudo e sair pra caminhar, pra correr, pra viajar parece ser a melhor solução. Pelo menos os problemas, as dúvidas, ou qualquer outra coisa que te sufoque, estão longe o bastante para não incomodar.

O que leva a Nina a fugir ocasionalmente não deve ter relação com duvidas ou incertezas da vida dela. É o simples instinto animal. Correr para a rua, conhecer algo novo, cheirar, lamber. Mas, assim como acontece com a gente, ou pelo menos comigo, parece sempre haver um portão ou uma coleira que nos segure onde estamos. Seja família, amigos, obrigações escolares ou profissionais, ou então alguém em especial que com certeza fará falta.

Ao ver o movimento frenético do rabinho da Nina, vi que ela estava feliz em me ver e voltar para casa. E ela tem razão. Largar tudo, correr e abandonar os problemas pode nos aliviar. Mas alguém sentirá nossa falta e, saber que aqueles que estarão esperando sua volta te fazem feliz, faz pensar duas vezes antes de sair correndo pela primeira brecha no portão.

Dia 11 de dezembro de 2009



  • Raquel disse:
    11 de dezembro de 2009 às 3:47 pm

    Que lindo, Seewald! Bela estreia! Posso te dizer que também penso – e procuro – uma brecha no portão mais próximo. Pra fugir, ou simplesmente dar uma volta. Ou ainda: voltar ao meu “portão de origem”.

  • Dudu disse:
    11 de dezembro de 2009 às 3:50 pm

    Das palavras para ti André: para béns
    Grande estreia!

  • Camila Vargas disse:
    11 de dezembro de 2009 às 3:57 pm

    Tenho que admitir que o ANDRÉ fez uma excelente estreia e reflexão. Eu gostaria muito de sair correndo mundo a fora, mas lembro das pessoas que amo e fico, vou ficando. Um dia ainda vou e tbém voltarei!

  • Maria disse:
    11 de dezembro de 2009 às 4:17 pm

    tens razão, andré. o melhor de ir é ter para onde voltar. mas falta coragem de ir de vez em quando, não falta? grande estreia. beijo.

  • Camila Capelão disse:
    11 de dezembro de 2009 às 4:24 pm

    Puxa… me sinto assim também, mas nada como voltar pra casa.

  • Rafaela Kley disse:
    17 de dezembro de 2009 às 9:24 am

    Bah, muito bom o teu texto André. Acredito que todos nós gostaríamos de, em algum momento do cotidiano, fazer a mesma coisa que a tua cachorrinha Nina.

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