Camila Vargas e Juliana de Brito
Estagiárias de Jornalismo
Com a aproximação da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o Recurso Extraordinário 511961, que extingue a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, os órgãos representativos da classe, juntamente com universidades de todo o país, iniciam uma grande mobilização nacional em defesa da formação acadêmica em jornalismo.
A Unisinos promoverá, de 11 a 17 de agosto, uma semana inteira de discussões e atividades relacionadas à defesa do diploma de jornalista profissional. A mobilização já inicia na sala de aula, onde os professores instigarão as discussões sobre o assunto.
A coordenação está preparando um debate para a terça-feira (12) com representantes da Federação Nacional de Jornalismo (Fenaj), do Sindicato dos Jornalistas do RS, da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). Também há a possibilidade de um profissional reconhecido nacionalmente palestrar sobre a importância da conquista do diploma. Durante a semana, será realizado ainda um plebiscito, que tem o objetivo de conferir a opinião dos alunos, professores e funcionários sobre a obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão.
A quarta-feira (13) será o dia nacional de luta em defesa do diploma, definido pela Fenaj. Nesta data, para protestar, os professores vestirão roupas pretas. Os alunos serão convidados a fazerem o mesmo. Em Porto Alegre, profissionais, universitários e demais apoiadores da causa participarão de uma caminhada durante a tarde, para mostrar o engajamento da classe. O local e a hora da passeata ainda não foram definidos pelo Sindicato dos Jornalistas.
“Quem reporta é o jornalista”
Durante a semana, além das atenções estarem voltadas para a importância da obrigatoriedade do diploma, será trazido para discussão a questão da identidade do jornalismo. “Precisamos definir qual a importância da atividade jornalística para a sociedade. Por que ela tem importância na vida pública, social e política?”, questiona o coordenador do Curso de Jornalismo da Unisinos, professor Edelberto Behs.
Behs defende vigorosamente a luta pela a regulamentação, mesmo diante da opinião contrária de muitas empresas da área jornalística, como o jornal Folha de S. Paulo. “O profissional que passa por uma escola tem a oportunidade de fazer um debate ético e humanístico. Ele busca no trabalho jornalístico uma sociedade igualitária”, acredita o coordenador.
A rotina jornalística, segundo o professor, acaba minimizando a importância da teoria e da reflexão sobre a influência da comunicação na sociedade. A universidade é o local para discutir e frisar o quão é poderosa a profissão. “Alguns debates precisam ser feitos, porque se não somos atropelados por um rolo compressor”, afirma Behs.
O coordenador ressalta, ainda, a responsabilidade de profissionais qualificados no mercado de trabalho para fazer bom jornalismo. “Quem reporta é o jornalista. Quem faz a mediação entre o fato e o público é o jornalista”, diz Edelberto Behs, que questiona por quê algumas profissões são regulamentadas e o jornalismo é desvalorizado, mesmo sendo tão importante para a sociedade quanto a medicina, por exemplo. “Fazemos operações cirúrgicas com as palavras”, compara o professor.
Analisando a realidade da mídia brasileira, Behs faz um questionamento: “O que o mercado busca é um jornalista ou um fazedor de entretenimento?”. Ele afirma ainda que o jornalismo deve auxiliar a sociedade por meio da informação. “Para realizar um trabalho qualificado, o diploma deve ser exigido. Assim, teremos um bom jornalismo na imprensa”, defende Edelberto Behs.
Cobertura
Durante a semana de defesa da obrigatoriedade do diploma, o Portal3 fará a cobertura completa das ações da universidade e dos acontecimentos em torno da mobilização.
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1 de Agosto de 2008 às 2:08 pm