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    Maria Maurente
    Estagiária de Jornalismo

    Pode parecer um pouco arriscado usar este espaço para contestar o chefe. Mas, em se tratando de Juan Domingues, sei que não terei problemas maiores do que uma possível réplica. Acontece que meu estimado editor publicou recentemente em seu blog uma opinião a respeito do projeto de lei que concede aos trabalhadores o chamado Vale Cultura.

    Trata-se de um benefício nos moldes do Vale Refeição ou do Vale Transporte. O projeto do presidente Lula, se aprovado pelo Congresso, concederá aos trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos um vale, por enquanto previsto em R$ 50,00 (já há quem queira aumentar para R$ 100,00), que poderá ser utilizado em peças de teatro, cinema, exposições, na compra de discos, livros… e por aí vai.

    Acontece que Domingues acha a ideia boa, mas não concorda com a forma como ela será executada. Segundo ele, vale-isso e vale-aquilo não adiantam para o trabalhador, que deveria mesmo era ter um salário decente que permitisse o acesso aos bens de que necessita. “Enquanto o brasileiro precisar de todos esses vales pra viver, presidente, o Brasil continuará sendo o país da esmola e do assistencialismo. Continuará sendo um país sem salário, um país do vale-tudo”, escreveu Domingues.

    Concordo, chefe, mas preciso contestar um ponto. Enquanto o salário decente não vem, o que se faz? Muitos criticam o governo do presidente Lula por ser exatamente como definiu Domingues: assistencialista. Mas pelo menos muitas famílias desfrutam de benefícios que garantem comida na mesa. Coisa que o salário, na maioria dos casos, infelizmente, não é capaz de assegurar. E a culpa não é do Lula.

    Deixando de lado a velha discussão sobre serem ou não benéficos para a população itens como o Bolsa Família (amado por uns e odiado por muitos), volto à cultura e exalto a iniciativa do governo. Principalmente porque pensar nesse benefício é entender a cultura como um dos itens básicos a que todo o trabalhador deve ter direito.

    Estimular a frequentação cultural é a grande sacada desse projeto. Com um dinheiro que pode e deve ser gasto exclusivamente com cultura, o trabalhador que não cogitava a possibilidade de ir a uma peça de teatro poderá ir a uma por mês, ou até mais, quem sabe. Porque o valor das entradas continua caro. E em se tratando de atores globais, o Vale Cultura sequer é suficiente. Mas isso é outra história.

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    4 de Agosto de 2009 às 2:21 pm

    5 Comentários para “Vale Tudo”

    1. Juan Domingues diz:

      Querida Maria. Gostei do teu posicionamento. E compreendo, sim, o teu ponto de vista. Aliás, o teu ponto de vista é o da maioria, ou seja, o de que é melhor ter alguma coisa do que não ter nada. Assim, desse jeito, não há como discordar do projeto do governo. O que questiono é essa história de que é melhor ter alguma coisa do que não ter nada. Eu sei que de grão em grão… Mas é que já estou farto do grão em grão no Brasil. O Brasil já perdeu tempo demais no campo social, cultural. Eu tenho pressa. Eu quero o Brasil um país de verdade o mais rápido possível. Eu só quero um Brasil em que as pessoas tenham salários decentes e não vales. Mas acho que, pensando bem, eu quero demais. Grande beijo. Obrigado pela leitura do blog.

    2. Lorena diz:

      É Maria, acho que na real, o nosso editor tem razão quando diz isso, afinal essa é mais uma das máscaras que o governo usa para tentar disfarçar suas lacunas…
      Mas que bom que o trabalhador terá uma ajuda para enriquecer seu lado cultural, que bom que agora podem, com o pouco que receberão, gastar em livros e em outros artigos que contribuam para o seu crescimento… QUE BOM!

      Enquanto isso agente tá aqui, olhando tudo isso e dando a nossa opinião. E o Lula, na minha visão: ele fez bem!

    3. Maria, concordo que a ideia do vale cultura é muito positiva. Também exalto a iniciativa do presidente. Ora, se até os ternos dos deputados são subsidiados com dinheiro público, pq não a cultura para quem, historicamente, tem ficado à margem dos teatros e livrarias?

      Juan, também quero um país mais decoroso e sério. Quero investimentos funcionais que tragam para o presente o tão sonhado país do futuro. Porém, não podemos esquecer que mudanças sociais e econômicas dependem de tempo. Assim, se começamos agora a derrubar paradigmas, fomentando uma nova realidade social, vamos demorar um pouco para colher esses frutos. Assim, até alcançarmos os objetivos que sonhamos, não podemos deixar o trabalhador sem VT e VR, não podemos privar a massa paupérrima da população do bolsa família, bem como não podemos onerar a classe que vive da cultura de sua plateia.

      Ótimo texto.

    4. André Simas diz:

      Maria, Mateus, Juan.

      Todos os três estão certos e dizendo a mesma coisa ao expor o desejo da pressa de matar a fome, também de cultura, do brasileiro.
      É sensacional a iniciativa do atual governo – que tem reduzido a desigualdade com medidas que a nossa elite chama de assistencialista, mas nunca fez nada similar.

      Salários decentes,sim, são o ideal. Mas, sabemos todos, em um sistema capitalista de mais valia da mão de obra, isto não depende de governo que, pode, sim, estimular com vales a melhoria da qualidade de vida dos mais carentes.
      Abraço.

    5. Juan Domingues diz:

      Bem, pessoal. Sugiro, então, a mesa de um bar pra continuar a conversa. Acho que vamos nos divertir. É só marcar!
      Abração Maria, Mateus e André.

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